A impermanência de ser permanente
Na vida, queremos deixar marcas eternas.
Queremos nosso nome escrito no concreto.
Fixo. Intocável.
Como se a permanência fosse sinônimo de valor.
Mas a vida real…
é mais parecida com escrever o nome na areia da praia.
Você se agacha com calma,
pega um galho qualquer no chão,
e com ele desenha cada letra na areia.
Sem pressa.
Com aquela leveza que a alma criadora coloca em tudo que faz.
Porque até o gesto mais simples pode ser poesia,
quando vem do olhar de quem cria com presença.
Mas então vem o vento.
Suave, quase sem avisar.
Apaga uma letra, depois outra.
E quando você tenta reescrever, o mar vem também.
Chega com força, leva tudo.
E ainda assim… você não sente raiva.
Sente completude.
Porque a vida é isso:
um constante escrever e desapegar.
O que o vento apaga, ele espalha.
O que o mar leva, ele leva para outros mares.
Outras margens.
Outros olhos.
Nada se perde por completo.
O que foi feito com verdade se espalha,
mesmo quando não está mais visível.
Não se prenda ao desejo de eternidade.
Viva com alma.
Escreva sua vida com intenção.
E permita que o tempo leve o que precisar ser levado.
Porque, no fim, o verdadeiro é perene.
E o vento… leva tudo aquilo que importa pra lugares dos quais você nunca imaginou…
E sua criação é concretizada no sentir de quem as recebeu.
